Não serei a tua paz
Não serei a tua paz,
antes o sobresalto,
a imprevista solidão.
Não serei teu riso
clara morada
de meninos,
antes este silêncio
de agulhas
sangrando o peito.
Hoje, serei apenas ausência,
tuas mãos vazias,
tua espera.
Não serei tua liberdade, companheira,
exilada para além dos muros
do horizonte,
serei, antes, o filho da terra
e do tempo: esta obstinada
vontade de resistir.
Pedro Tierra em “Poemas do povo da noite”